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O percurso de trabalho com o tema “Invenção e criação no percurso de um psicanalista” apresentou, durante o ano de 2008, os eixos que diferenciam as dimensões da criação e da invenção.
O eixo da criação foi abordado a partir da referência ao Seminário, livro 7, A Ética da psicanálise, assim como das elaborações freudianas sobre a sublimação, permitindo situar a noção de criação ex-nihilo, com os efeitos criadores da introdução do significante no real. A criação, portanto, nos remete a tudo que se produz a partir do nada. Sigmund Freud reluta em se dizer o “criador” da Psicanálise, e se o faz em um momento de sua vida, é mais no sentido de assumir uma autoria, o que já orienta a questão de forma diferente, abrindo desde então a perspectiva da invenção. A descoberta do inconsciente por Freud se faz por via de um trabalho a partir do que dele se revela, nomeando-o e formalizando os conceitos e suas articulações, determinando o caráter de descoberta de algo que “já estava lá”, mas não se operava a partir dele. Evidentemente, essa operação determina o estabelecimento de algo novo, inédito, que por sua vez pode ser comparado à revolução estabelecida por Copérnico e Darwin no que diz respeito à descentralização, à divisão que modifica toda noção do homem e de seu mundo.
Jacques Lacan dirá que é preciso que cada psicanalista reinvente a psicanálise. A famosa frase de Pablo Picasso: “Eu não procuro, acho”, condensa as diferentes dimensões da noção de invenção: o encontro, para além das determinações do Eu e a produção de algo novo.
As invenções consideradas como tais por Lacan, em seu percurso de teorização, são duas: o objeto a e o Real. Estas não podem ser reduzidas a uma superposição dos conceitos freudianos tais como o conceito de objeto perdido e de pulsão de morte, apesar de evocarem ou mesmo partirem dessas referências. O objeto a, tratado inicialmente por Lacan no Seminário, O desejo e sua interpretação (inédito), em seu estudo sobre Hamlet, faz referência ao texto freudiano “Luto e Melancolia”. Fazer desse objeto perdido no luto o objeto a configura a invenção, nomeada e assumida como tal alguns anos depois, após outras articulações que lhe permitiram sustentá-la como tal.
Um percurso semelhante pode ser apreendido no que diz respeito à invenção do Real, uma vez que se vale da noção de pulsão de morte enquanto mais-além, mas é no momento em que estabelece o nó borromeano, que a invenção do Real se dá, uma vez que esse Real implica em uma nodulação a três (real, simbólico, imaginário), e mais precisamente a partir da nodulação do quarto elo, somente desenvolvido no Seminário, livro 23, O Sinthoma.
As elaborações de Lacan sobre o Passe pontuam o comprometimento do psicanalista no avanço dos problemas e questões cruciais para a psicanálise pela via do desejo do psicanalista enquanto “desejo inédito”. Convém que cada psicanalista possa se situar em relação ao que entende por invenção, bem como a importância desta noção para a experiência clínica. A experiência do Passe introduz de forma direta a questão da invenção para um psicanalista, para cada psicanalista, na medida em que, pelo advento desse desejo inédito, inaugura-se um novo laço do psicanalista com a psicanálise, abrindo a possibilidade de sustentação e atualização das questões cruciais para a psicanálise em sua extensão.
Em nosso percurso de trabalho do corrente ano, abordaremos a construção das invenções de Lacan, o objeto a e o Real, realizando exposições relacionadas ao tema e exposições relacionadas a produções artísticas que colocam em jogo o processo de invenção. Contaremos com a presença de colegas da Escola e de convidados para as exposições, que terão lugar mensalmente, às quartas-feiras. Esses encontros têm início em 11 de março de 2009, e constituem o trabalho preparatório para a Jornada: “Invenção e criação no percurso de um psicanalista”, a ser realizada nos dias 27 e 28 de novembro de 2009. Os temas dos encontros serão divulgados oportunamente.
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ESPAÇO PSICANALÍTICO DE AMERICANA
V Jornada de Psicanálise com Crianças
CRIANÇAS NA PSICANÁLISE: TERRITÓRIOS
O título desta Jornada, ao escrever a criança no plural na psicanálise, já coloca, de saída, uma posição diante das questões suscitadas pela prática psicanalítica, que se diferencia radicalmente do discurso universalizante da ciência.
Podemos dizer que o primeiro território para a criança é o discurso do Outro, lugar de seu nascimento simbólico e de seus primeiros embates. A criança concreta, na singularidade de seu sintoma, vem atualizar este embate com o discurso já constituído, seja o dos pais, seja o daqueles que se ocupam de seu tratamento. A opacidade das manifestações da criança, o “resto” que permanece para além daquilo que pode ser objeto de leitura, convoca o psicanalista, num esforço de elaboração, a circular por diferentes territórios discursivos e a considerar a extensão da experiência psicanalítica. A inclusão do tema dos “Autismos na infância” nesta Jornada configura uma aposta nesta direção.
Mais uma vez, a organização da Jornada reafirma seu compromisso de estabelecer laços de trabalho que privilegiem o avanço nas questões que nos afetam, contando com convidados de diferentes instituições e que freqüentam diferentes domínios que se ocupam das questões contemporâneas da infância.
PROGRAMAÇÃO
- V Jornada de Psicanálise com Crianças
CRIANÇAS NA PSICANÁLISE: TERRITÓRIOS
Dias: 15 e 16 de Maio/2009
Inscrições: (19) 3461.1069 - com Adriana
- Curso: Cuidado materno e dom de amor
Responsável: Mariângela Maximo Dias (psicanalista)
Início: 2º semestre de 2009
- Membros do Espaço Psicanalítico de Americana:
Mariângela Maximo Dias
Marta Togni Ferreira
Sonia Zoppi
Espaço Psicanalítico de Americana
(19) 3461.1069
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